Uso de máscaras pode induzir produção de anticorpos contra Covid-19

O simples ato de usar uma máscara para se proteger pode também levar à produção de anticorpos contra o Sars-CoV-2 no seu corpo.

Essa é a hipótese levantada por pesquisadores da Universidade da Califórnia e publicada como nota na revista científica The New England Journal of Medicin, uma das mais prestigiadas da área, na semana passada.

A ideia, segundo defendem os autores, é que as máscaras amplamente usadas pela população diminuem em muito, mas não impedem totalmente, a passagem das gotículas de saliva ou partículas aerossóis que podem transmitir o vírus.

Com isso, uma fração pequena de partículas virais passaria pelo equipamento e seria transmitida a outras pessoas, mas com carga viral mais baixa. Essa baixa carga viral não levaria a formas mais severas da Covid-19, mas seria o suficiente para induzir uma resposta imune no organismo.

O fenômeno já é conhecido da medicina e foi o precursor das vacinas: a variolação, processo de imunização utilizando material retirado de um paciente —à época, raspagem de uma vesícula de varíola— e inoculando-o em outro para garantir a resposta imune, mas sem provocar infecção.

Os cientistas argumentam que o uso de máscaras em toda a população elevaria a taxa de assintomáticos, uma vez que as pessoas conseguem se proteger parcialmente de uma quantidade elevada do vírus –alguns estudos apontam que a quantidade de vírus inoculado pode estar relacionada ao grau de severidade da doença.

Além disso, estudos comprovaram a eficácia do uso de máscaras tanto para prevenção por pessoas não contaminadas quanto no bloqueio da transmissão por pessoas infectadas com o vírus.

Folha de S.Paulo