Rendimento do brasileiro deve cair mais em 2021

O rendimento do brasileiro deve cair 1,3% ao fim de 2021, segundo levantamento feito pelo BC (Banco Central) com economistas divulgado nesta quarta-feira (12). A maioria dos entrevistados também projeta que o PIB (Produto Interno Bruto) deve alcançar os níveis observados antes da pandemia de Covid-19 no quarto trimestre deste ano.
 

A questão levava em conta a renda proveniente do trabalho. O mercado estimou que os ganhos efetivos, quando são incluídas outras fontes além do emprego, devem subir 0,6% no ano, percentual é que considerado estabilidade.
 

Em relação ao PIB, quem não vê uma recuperação da atividade ainda neste ano, projeta que a retomada do patamar pré-crise sanitária ocorra no primeiro trimestre do ano que vem.
 

As questões foram enviadas antes da reunião mais recente do Copom, que ocorreu em 4 e 5 de maio. As respostas contribuem para o conjunto de informações que subsidiam a decisão sobre a Selic, taxa básica de juros.
 

As perguntas são feitas em todas as reuniões, mas esta é a primeira vez que a autoridade monetária divulga o conjunto de respostas.
 

Em relação ao mercado de trabalho, a expectativa dos economistas ouvidos pelo BC é que a taxa de desemprego encerre o ano em 13,8%.
 

No quarto trimestre de 2020, o índice de desemprego ficou em 13,9%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A renda média mensal dos brasileiros ficou em R$ 2.520 no trimestre terminado em fevereiro, queda de R$ 65 em relação aos três meses anteriores, mas alta de R$ 32 na comparação com o mesmo período de 2020.
 

“Temos hoje dois dados muito distintos, a Pnad [do IBGE] e o Caged [do governo], ambos passaram por mudanças em decorrência da pandemia e os dois apresentam problemas. O mercado de trabalho é parte fundamental do processo de recuperação da renda do brasileiro. A renda efetiva foi bastante inflada com o auxílio emergencial no ano passado, por exemplo. Vamos ter problemas com essa base de comparação também”, explica Marcelo Neri, diretor do FGV Social.
 

?O especialista diz que no quarto trimestre do ano a perda de renda do brasileiro chegou a 11%.
 

Para o economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, o mercado de trabalho deverá passar por um processo conhecido no meio econômico como histerese, quando um indicador demora a se recuperar de um choque. “O desemprego deve ficar em níveis elevados, na melhor das hipóteses, por cinco anos. Apesar da retomada esperada para o fim de 2021, o emprego não deve se recuperar tão rápido”, pondera.
 

?O analista lembra que além de perder renda em termos reais, o brasileiro também deve ter o poder de compra corroído pela inflação. “A alta dos preços deve continuar em aceleração até junho, quando chegará próximo de 8%, para depois arrefecer, então a renda será penalizada”, pontua.
 

Galhardo lembra que a inflação dos mais pobres é ainda mais elevada. “O INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor] já mostrou essa disparidade, porque engloba faixas de renda mais baixas”, lembra.
 

O INPC mostra a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado a inflação oficial do país, leva em conta a cesta de quem ganha de 1 a 40 salários. Ambos são medidos pelo IBGE.
 

Em abril, o IPCA ficou em 6,76% no acumulado dos 12 meses e o INPC em 7,59%.
 

Além disso, para a maioria dos entrevistados, a dívida pública bruta só atingirá seu pico em 2029. Parte diz acreditar que o endividamento do governo alcançará seu maior nível em 2025. Atualmente, a dívida está 89,1% do PIB e soma R$ 6,72 trilhões.
 

Entre os economistas consultados, 44% respondeu que o ambiente externo está mais favorável hoje em comparação com a reunião anterior do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, em março. Apenas 16% disse estar menos favorável e 40% afirma que não houve mudanças relevantes no cenário internacional.
 

Na semana passada, o comitê elevou a Selic em 0,75 ponto percentual, a 3,50% ao ano, e sinalizou nova alta de mesma magnitude em junho, para 4,25% ao ano.

Folhapress